terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Tristão e A Solta




São Paulo, Dezembro de 2012
Interior . Quarto . Noite

Lá estava ele, Tristão (33 anos) pensando em A Solta (30 anos). Não sabia ao certo como seria o encontro no dia seguinte, mas que iria dar um basta nesta história, ah, isso iria.
Tristão virava-se de um lado a outro na cama numa noite úmida, lá fora o mundo caia em chuva.

Exterior. Praça. Dia

A Solta: Nossa como você demorou? Já estava de partida.
Ele a olha inexpressivo lembrando-se das vezes que ela nem aparecia.
Tristão: Foi o trânsito que me segurou, desculpe.
A Solta: Você sabe muito bem que não gosto de ficar parada esperando.
Da boca de Tristão quase saiu sem se permissar...”Só os outros que podem né?”  Mas disse:
Tristão: E quem gosta?
Silêncio no ar, ela com cara de indignadíssima fala:
A Solta: Pois bem o que você quer falar comigo? Tenho muito que fazer hoje.
Tristão:: Não vai perguntar como estou e como passei esses dias?
Ela olha no relógio e admirada com a resposta óbvia que ele daria diz: Tudo bem contigo?
Tristão olhando a beleza daquela mulher , sente saudades dos momentos no quarto  em sua casa sozinhos.  Sentiu desejo de agarrar, abraçar aquela menina, pois o efeito que ela nele exercia  ainda  sacudia.
Tristão: Não, não passei bem. Esquece que me traiu com quem dizia ser meu melhor amigo. Não se lembra, sua cretina?
A Solta: Veja bem como você me trata! Toda indignada.
Ele pegando-a com força pelo braço a traz para si e como um homem com a imagem e moral em manchas diz:
Tristão: Você é mesmo uma vadia! Sua ordinária, salafraria! Nem sei o que vim fazer aqui?
A Solta: Só vim porque você insistiu. Se quiser me fazer um ultimo agrado, podemos ir embora. Tristão: Sei que é isso o que você quer,  sua desavergonhada! Mas vai ouvir tudo o que tenho a te dizer e o quanto tenho padecido.
A Solta, moça formosa de se ver. Pernas grossas, seios de um bebê, Sorriso amplo, cabelos pretos longos na cintura emolduravam toda essa formosura, fazia cara de desentendida e inquietação, pois para ela ele era apenas mais um bobão que caiu em sua rede, mas  acabara o tesão..
A Solta: Estou aqui diga!
Tristão: Você era por mim amada, sua desgraçada (quase chorando) porque fez isso comigo?
Ela faz cara de risada naquela manhã de dia quente na praça (12:00- Brasilia).
Tristão: Porque você saiu com outro? Ou melhor dizendo, meu amigo? Sua desinchabida! Queria se ver livre de mim? Era só me dizer  que dai eu deixava seu caminho. Agora lá na empresa  sou conhecido como “O corno, o mais novo” e todos as escondidas zombam de mim. Sua safada!
A Solta: (parecia que tinha um sorriso no canto da boca) Me respeite senão te deixo aqui sozinho.
Tristão: Todos ficam a me zombar e pra ajudar ouvi uns comentários que a fila crescia e você sua cretina a senha a entregar. Como fez isso comigo, saindo não só com o CANASTRÃO meu amigo mas também se entregando ao  INFELIZ o contador, ao Sr. DECEPÇÃO meu patrão e até ao POBRÃO o motorista? Você é uma perdida, estou com vontade de te esganar.
Ela se aproxima e lança lhe  um olhar sabendo que iria o fazer parar de esbravejar  como um típico corno ele fica manso. E então ela diz:
A Solta: Não queria que fosse assim, não premeditei nada, mas aconteceu oras! E tenho certeza que você só  ficou sabendo  por que o  Infeliz tirou aquela fotos. Já disse tudo o que queria?
Tristão: Claro que não, sua boa bisca!
A Solta: Se eu te pedisse perdão me darias? Afinal foram bons os momentos que passamos não?
Tristão: O que me mata é que a flamula do desejo ainda corre em minhas veias. Te vendo agora não sei pensar em outra coisa senão acariciar teu corpo inteiro e te encher de beijos.
Ela tocando em sua coxa, pois sentados estavam dá um beijo em sua boca.

Pequena conclusão: O homem mente, mata, trapaça, apronta horrores empunhando o escudo de uma condição obtida (Eva entrega o fruto a Adão).  Mas quando preso pelo desejo deixa claro que somos todos iguais, uma bela porcaria.

O sexo no motel no outro lado da praça aconteceu mais uma vez naquele dia. Deixando ela no ponto de ônibus, pois ela assim insistia, Tristão sai e  fica  escondido vendo sua partida numa esquina.
Ela falando ao celular, acena para um homem na moto . Tristão vendo a cara do fulano ao tirar o capacete não acredita. Era o IIDIOTA, mais um, o seu irmão.
Fim.


Sandra Frietha
São Paulo, 25 de Dezembro de 2012.


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