terça-feira, 20 de novembro de 2012

1º Ato Rodriguiano

No teatro os assentos iam sendo ocupados. O show começaria e o desejo de ver a peça tão querida findaria.
Marilia – Onde vamos sentar? Pergunta a amiga Regina.
Regina – O mais próximo possível do palco. Olha ali, tem dois lugares sobrando.
As duas amigas tomam posse do lugar e felizes por estarem presentes a mais uma encenação da vida sorriem.
Em meio à expectativa que faz parte do clima, aparece do nada uma senhorinha (que logo  a chamariam de velhota. Sigo a contar)
Senhorinha - Por favor, é aqui que ficam as poltronas 03, 04 e 05?
As moças travam olhar.
Senhorinha – É que eu e minhas amigas estávamos aqui e como precisávamos tomar remédio saímos.
Marilia – Sim, é aqui.
Regina com olhar de desaprovação, chegando á conclusão do que a tal queria, quase cospe
fogo na cara da “senhorinha”.
Senhora – Então, como já tomamos o remédio voltamos e queremos sentar.
Regina - Hoje não há cobrança de bilheteria, os acentos estão liberados para quem chegar.
Senhorinha – Mas eu sou idosa (imputação de preferência, sinônimo de decadência).
Regina – Vai se foder, velha asquerosa!  Bem que ela queria ter dito isso, mas apenas fez sinal de não com a cabeça.
Marilia – Mas onde vamos sentar? O teatro esta lotado? A maioria das poltronas ocupadas?
E ao lado Regina bufava com tal disparate da velhota.
Senhorinha – Tudo bem! Vocês não vão sair certo?
A Velhota fica indignada com a má criação das jovens meninas.
Senhorinha - Vou falar então com o responsável.
E a velhota parte enfurecida.
Regina – Que merda, essa tia ai Marilia! Sai pra tomar remédio e acha que é assim! Por que não guardou lugar? Precisava ir todas, não podia ficar uma garantindo o acento das outras? Lamento, mas não me levanto e sem contar que a bilheteria hoje é liberada, ninguém que esta aqui pagou pra entrar...
Marilia concorda e começa um buchicho próximo ao público vizinho, que diziam: Qual é mesmo o número que elas queriam? Ufa! Ainda bem que não é o meu lugar, outros diziam.
Diante a esse alvoroço no palco o telão desce e Rui Castro começa a relatar referências da peça e do bom moço que as escreveu.
As luzes vão se apagando e a velhota não aparece mais.

Quem é frequentador de cinema, teatro sabe muito bem que antes de iniciar “a maravilha” somos abordados por algumas leis e decretos de como devemos nos comportar, do que não pode funcionar e se houver incêndio, para onde devemos ir.
Mas Marilia tem um lapso e cutuca a amiga deixando sair pela boca sua imaginação...
O Locutor  - O Ministério da educação informa que por decreto lei nº blá! blá! blá! fica proibido sentar no lugar de velhinhas.
As duas imaginando a situação não param de rir e o locutor no imaginário continua...
O Locutor – Portanto vocês ai, sim, vocês Regina  e Marilia queiram se levantar e ceder o lugar!
A gargalhada toma maior proporção e a imaginação ainda não termina...
O locutor – É com vocês mesmo meninas, não vão se levantar?
Risos e mais risos.

Bem, essa cena já foi vista em alguma dramaturgia e tenho certeza se vivo, Nelson Rodrigues a contaria.
Privada a vida só mesmo no banheiro de casa.



Sandra Freitas
São Paulo, 20 de Novembro de 2012.



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