segunda-feira, 26 de novembro de 2012



Noite em flâmula 
Roteiro? escrito por
Sandra Freitas



Ext. Dia (trem)

Já passava das 10am e sem nenhum tormento a viagem seguia como todos os dias. Joana (35) sabia de cor e salteado a paisagem do lado de fora do trem. ERICA (28) uma amiga a quatro estações a frente, sempre a esperava para irem juntas ao trabalho.
Chegando a estação onde se encontraria com a amiga, a porta do trem abre e logo em seguida Joana avista Erica.


ERICA
              Oi, amiga, bom dia!

JOANA
              Bom dia flor! Como foi sábado?

ERICA
              Estava tudo certo para o encontro com o
              MATHIAS (33).Você nem vai imaginar o
              que aconteceu menina?

JOANA
              Conta logo! Estou curiosa.

ERICA
              Pois é, deixa eu te contar o que se sucedeu.
              Embora já ter combinado tudo com Mathias
              Como te falei. Cheguei em casa e quase  
              Desisti, mas dai pensei: o que vou perder
              se acaso não ir?
              Daí  tomei aquele banho, me   
              maquiei, foi difícil escolher a roupa,
              mas você acredita que aquela que nem pensei,
              pois é, foi essa que coloquei.


JOANA
               E ai, o que aconteceu?

ERICA (INT. CASA)
               Me perfumei toda, quando olhei no espelho,  
               nem acreditei que a imagem refletida ali
               era eu. Eu estava um arraso colega.
               Saindo de casa, paro em frente ao ponto
               de taxi. Duas garotas, não sei de onde
               saíram começam a falar comigo, 
               perguntando-me qual vai ser minha decisão?
               Fiquei com medo, assustada, não entendendo
               aquela situação.
               Dizia não ser eu quem elas procuravam e 
               também que nem sabia qual a questão que
               deveria ser respondida?
               Não adiantava minhas palavras, elas a
               deixavam de lado e só queriam que eu
               respondesse: Qual sua decisão querida?
               Engraçado em meio a tanto medo, as achei
               Belas, eram lindas as malditas. Fiquei
               aflita. Tentei
               por várias vezes me desvencilhar, mas elas
               não me deixavam passar. Foi então que
               surgiu do outro lado da rua um velho
               maltrapilho seguido por um
               bando de cães encardidos e as moças deu uma
               ordem:

VELHO MALTRAPILHO
               (Aproximadamente beirando seus 70 anos)
               Vão embora, deixem ela em paz!

ERICA
               Logo em seguida vi pneus cantar, o ar ficou
               com um cheiro ruim e quando me dei conta só
               havia eu ali na rua.


JOANA
               Que loucura! Mas você não as conhecia mesmo?
               Elas apareceram do nada?

ERICA
               Pois é, Senti um arrepio na espinha, as mãos
               estavam frias e ali elas já não estavam.

JOANA
E o velho o que aconteceu?

ERICA
Não sei, ele também desapareceu.

JOANA
               E o encontro com o Mathias, como foi?

               E você acha que depois disso eu continuei
               com o intento de sair? Fui pra casa e hoje
               já é segunda, acredita que nem liguei pra  
               ele ainda?


Erica olhou para o rosto da amiga e viu a imagem refletida de interrogação.

ERICA
                O que você acha de tudo isso? Diz amiga,
                preciso de sua opinião.

JOANA
               Acabou ai? Não tem mais nada para me contar?
               Te conheço, desembucha!


*Antes de continuar a leitura para melhor absorção peço que  toque essa música.


Symphony No. 9 (Ludwig van Beethoven)



ERICA
               Ok! Chegando em casa fui tirando toda
               idumentária e fui dormi. Pensei,
               caramba, duas mulheres, um maltrapilho
               e o carro de onde surgiu? Foi demais pra
               mim.
               Mas deixa eu te contar o que ainda sucedeu.
               Como havia dito, me deitei e dormi e quando
               me dei conta estava numa perseguição onde é
               claro nessa altura dos acontecimentos eu era
               a vitima e um homem, veja bem, estava com
               roupa de caçador, tipo safari corria atrás
               de mim com um rifle, acredita? E na rua onde
               eu estava, já era dia. Avistei um beco, vi
               uma porta entreaberta, daí corri pra me
               esconder. Mas saindo do outro lado eu estava
               dentro de uma casa. A primeira coisa que
               pensei pronunciei; estou fodida! Percorrendo
               entre os cômodos da casa ele vinha atrás de
               mim. Não sei porque cargas d’agua decidi
               entrar pela porta de um gabinete no
               banheiro.
               Lá estava eu na rua novamente.
               O dia já era declarado outro e estava
               muito claro e eu ali naquela rua sozinha e
               vazia.
               O homem já não existia. Tentei me
               localizar e não estava longe de casa.
               Fui para lá e desabei na cama.
               Abri os olhos e a luz estava acesa,
               de uma claridade que as luzes florescentes
               invejariam se visse. Pensei ter apagado
               ou nem ligado quando cheguei. Ouvi um
               cochicho. Você acredita que tinha uma moça
               na porta do quarto que falava algo que eu
               não entendia, se aproximou e falou ao meu
               ouvido e sorria, mas mesmo assim não
               compreendi. Fiquei ali inerte, observando
               os movimentos dela. Ela se aproximou
               novamente e encostou sua mão em minha
               cabeça. Comecei a ver luzes piscando,
               eram vários pontos de luz e também uma
               corrente circulante de cor azul.
               Sabe onde eu estava? Olhando o que se
               passa durante o processamento de nossa
               mente ela me fez saber e ai voltei
               e a moça desapareceu.
               Susto maior quando voltei tomei me vendo
               deitada com olhos fechados e uma expressão
               de quem estava sendo atacada, eram vozes
              horripilantes e seres querendo vir sobre
              mim como pode ser isso?
              Que susto tomei eu ali deitada, com ar de
              assustada e expressão de socorra-me!

ERICA
              E então, o que você me diz?
              Joana? Joana?


A música soa mais alto e Erica diz, sim.
O dia raia e o despertador a faz discernir.

ERICA
Não acredito que estava sonhando, mas Joana parecia tão real. Que droga! Ah, se não fosse você Gal.

"Ressuscita-me
Ainda
Que mais não seja
Porque sou poeta
E ansiava o futuro"

O AMOR.GAL COSTA.wmv



Olha para o relógio e esbraveja. Não acredito, estou atrasada! Corre, vai se vestir e encontrar a amiga para contar tudo o que viu.


São Paulo, trecho de sonhos tido até 2003.


"A vida segue o rolar de um moinho, nunca sabemos onde será seu reinicio."


Fim.




Sandra Freitas
São Paulo, 26 de Novembro de 2012.


Nenhum comentário:

Postar um comentário