sábado, 12 de abril de 2014

O Derradeiro e o Bem que Partiu


 "Entre os dias 13/04 a 16/04

                                     no site Recanto das Letras, 
                              esse conto angaria a 15ª posição 
                        entre os 100 textos eróticos mais lidos"







“Desde aquele dia que você marcou comigo e em cima da hora cancelou pra ficar com aquela garota, desde esse dia, não há uma manhã que acordando pense em te excluir da minha vida.”


O barulho do transito era infernal. Ansiosa, Veridiana mexia sem parar nos cabelos, tentando ajeita-los. Batia o pé esquerdo incessantemente, levando a todo o momento a mão a boca. Entre os dentes sua unha sentia toda a pressão da sua falta de paciência.
Uma mulher com um monte de sacolas esbarra nela. Uma das sacolas se rasga e nesse abaixar para tentar ajudar a pobre distraída, ouve Tom a chamando.
Veridiana- Desculpe, preciso ir (diz saindo e deixando a desastrada mulher e seu prejuízo)
Veridiana: Nossa como você demorou! O que houve Tom?
Tom: foi o transito, só isso. (E logo se calou)
Veridiana: Tá tudo bem?
Tom: sim, podemos ir?
Veridiana: sim, sim, claro!
Foi ai que Veridiana soube, nas palavras contidas no silêncio, que o fim não tardaria. Era questão de coragem assumir a tragédia que estavam vivendo por aqueles dias.  Na cama ele dizia que a amava, disso ela nunca duvidou.
Veridiana: Estou com fome, cansada, será que podemos parar pra comer? Porra cara, você demorou pra caralho! Quero  descansar um pouco, sentar e comer. Só preciso encontrar um lugar digno pra isso.
Tom: lá vem você com essas frescuras de “lugar digno” (disse irônico). Num tá com fome? Então qualquer lugar serve!
Veridiana: Não enche!
Tom: ok! Seguindo a mestra (responde com um sorriso sacana)
Veridiana:  vamos atravessar, do outro lado da rua , na outra esquina há um lugar bacana pra se comer.

Foi a imagem mais linda. Não acreditava que uma mulher pudesse causar tanto encanto e ao mesmo tempo espanto. Passou a mão por aquele rosto, estava excitado demais. Fixou o olhar no dela e  a jogou na cama. A fivela retardava a gana em socar com força todo seu poder de homem e vê-la berrar.
Veridiana  em silêncio se contorcia, assombrada,  se perguntava: - Por que só agora onde as coisas já não tem mais jeito, me veio por ele esse desejo?
Tom consegue se livrar do cinto, Veridiana de pernas bem abertas, sentindo a coisa toda a penetra-la, berra.
Ele não poupou a garota que mordendo seu pescoço, pedia mais. Não para! Mais!
A  buceta  encharcada, dava a ele a certeza que era  efeito de seu pau. De quatro ela gemia ainda mais e começa a se tocar.
Toda uma  ira manifestada em movimentos bruscos detonam o desejo de um homem e seus medos. Ela tinha que ficar. Como impedir sua partida? Ah, essa minha covardia em assumir o risco, era só no que Tom pensava. Veridiana, nunca foi santa, mas sempre soube se comportar como uma dama. Sabia que amarguraria essa saudade.
O amor negado em palavras, satisfazia a mulher que com o olhar de desejada o enchia de êxito.
Veridiana: (sussurrando) o que você quer de mim?
Tom: ainda me pergunta sua cretina!
Veridiana: Diz logo porra que você me ama!
Tom: nunca.
Ela ainda de quatro, sentindo todo o poder de seu  caralho, Tom a puxa pelo cabelo. Veridiana não se importa, pois a dor em saber que nunca mais irá vê-lo, anestesia, toda e qualquer agressividade que o ato mais selvagem poderia lhe proporcionar.
Forçando o corpo dela a se levantar pelos cabelos, Tom o encosta ao seu. Ele a abraça. Ódio e amor se encontraram. A lágrima cai, já não importa de quem. Ambos se crucificavam, só por amor, só por amor. De quem? Quem vai saber?
Tentaram prolongar ao máximo impedindo o clímax,  pois sabiam que era o decreto do fim. Com o dedo de Tom em sua boca, Veridiana deixa claro sua intenção. Tom a vira para ele. A pulsação o confundia. Ora pinto, ora peito.  Arranhando e mordendo aquele corpo, Veridiana vai descendo e cessa a sede assim que abocanha. Enchendo sua boca, chupa assim como a uma manga que lambuza e dá ânsia chegando na garganta.
Ela primeiro, ele em seguida,  a segue em  contrações que explode do corpo, efeito do gozo.
Silêncio paira sobre os corpos sujos, música em tom brilhante vivenciam os nobres amantes. Veridiana procura sua roupa, se veste. Tom a observa. Em silêncio se despedem.
A porta do quarto se fecha.


Tom procura sua calça, pega o cigarro e acende. Acha o bilhete e rele novamente a parte  onde diz “não há uma manhã que acordando,  pense  em te excluir da minha vida”

Pegou o papel levou ao bolso. Com olhar disperso, suspirou o mais profundo que pôde. Era uma sensação nova essa, sensação de derrota, pois pela primeira vez, diferentes a outras, sabia que aquele bilhete era o adeus.


Fim.






2 comentários:

  1. Comentário postado site Recanto das Letras


    13/04/2014 11:12 - Stein haeger
    Maravilhosa!! Sempre!

    ...


    14/04/2014 10:36 - ALCOVARDENTE
    Muito bom!

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  2. 25/04/2014 23:49 - Alberto Valença Lima
    Muito bom Sandra, e muito apropriada a ação tomada. Parabéns.

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